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Informe 027-2021 AEAMG

                                                                          

INFORME 027/2021 AEA MG – 06 OUT 2021

 

Palavras-chave: Clube de Leitura AEAMG

 

Prezado(a)s Associado(a)s,

No dia 30 de setembro, última quinta-feira do mês, foi realizado, por videoconferência, o segundo encontro do Clube de Leitura LER PARA TECER AEA-MG.

“Um clube de leitura é um grupo de pessoas que leem o mesmo livro e se reúnem, de tempos em tempos, para conversar sobre cada uma das obras lidas.”

O tema do LER PARA TECER AEA-MG é a leitura de livros de romances escritos por autoras brasileiras e também estrangeiras.

Segundo a mediadora Terezinha Pereira, escritora e associada AEMG, no mês de setembro, o livro lido e discutido pelos participantes foi “Como água para chocolate” da autora mexicana Laura Esquivel. Durante o encontro, os participantes teceram sobre suas experiências, trocaram opiniões, falaram de seus mais diversos sentimentos despertados pela leitura do livro.

As fotos ao final, autorizadas, são de participantes do Clube.

Segue abaixo, uma resenha do livro "Como água para chocolate":

““Como água para chocolate” é um livro que desperta no leitor as mais diversas emoções, evoca aromas e sabores através do preparo das receitas, que abrem cada um de seus doze capítulos. Toda a trama da narrativa gira em torno da cozinha e de elementos culinários. A vida de Tita, a protagonista, está relacionada aos pratos que afetuosamente prepara. A história de Tita é narrada desde o seu nascimento em um rancho no norte do México, com destaque para sua juventude, o amor por Pedro e a missão de cuidar da dominadora Mãe Elena. O tempero combina a revolução mexicana no início do século XX (de 1910 ao início dos anos 1940) com o realismo fantástico que sobressai na literatura latino-americana.

“Como água para chocolate”, publicado em 1989, já foi traduzido para mais de 30 idiomas. Sua autora, Laura Esquivel, recebeu em 1994, o prêmio American Booksellers Book of the Year, pela primeira vez atribuído a um escritor estrangeiro. A adaptação da obra também foi sucesso no cinema com direção de Alfonso Arau em 1992, com roteiro de Laura Esquivel.”

Trechos:

““Mamãe Elena lançou-lhe um olhar que para Tita encerrava todos os anos de repressão que haviam flutuado sobre a família e disse:

– Pois mais vale que lhe informes que se é para pedir a tua mão, não o faça. Perderia seu tempo e me faria perder o meu. Sabes muito bem que por ser a mais jovem das mulheres te corresponde cuidar de mim até o dia de minha morte.”

Laura Esquivel (1950). Como Água para Chocolate. (romance mexicano). São Paulo: Martins Editora, 2015. p.16

“Dizem que Tita era tão sensível que desde que estava no ventre de minha bisavó chorava e chorava quando esta picava cebola. Seu choro era tão forte que Nacha, a cozinheira da casa, que era meio surda, o escutava sem esforço. Um dia os soluços foram tão fortes que provocaram o adiantamento do parto. E sem que minha bisavó pudesse sequer dizer um pio,

Tita despencou neste mundo prematuramente, sobre a mesa da cozinha, entre os aromas de uma sopa de massinha que estava cozinhando, os do tomilho, do louro, do coentro, do leite fervido, do alho e, é claro, da cebola. Como bem podem imaginar, a conhecida palmada na bunda não foi necessária pois Tita nasceu chorando de antemão, talvez porque sabia que seu oráculo determinava que nesta vida lhe estava negado o casamento. Contava Nacha que Tita foi literalmente empurrada para este mundo por uma torrente impressionante de lágrimas transbordando sobe a mesa e o chão da cozinha.”

Laura Esquivel (1950). Como Água para Chocolate. (romance mexicano). São Paulo: Martins Editora, 2015.p.11-12”

““A uma ordem da mãe, Tita a ajudava a secar-se e a colocar o mais depressa possível a roupa bem quente para evitar um resfriado. Depois entreabria um milímetro da porta, para que o quarto fosse esfriando e o corpo de Mamãe Elena não sofresse uma mudança brusca de temperatura. Enquanto isso escovava-lhe o cabelo, iluminada unicamente pelo débil raio de luz que se infiltrava pela frincha da porta e que criava um ambiente de sortilégio ao revelar as formas caprichosas do vapor de água. Escovava-lhe o cabelo até que ficasse seco por completo. Então lhe fazia uma trança e davam por terminada a liturgia. Tita sempre dava graças a Deus por sua mãe só se banhar uma vez por semana; senão sua vida seria um verdadeiro calvário.”

Laura Esquivel (1950). Como Água para Chocolate. (romance mexicano). São Paulo: Martins Editora, 2015.p.85

“Afinal, qualquer coisa pode ser verdade ou mentira, dependendo de que a gente acredite nas coisas verdadeiramente ou não. Por exemplo, tudo o que tinha imaginado sobre a sorte de Tita não tinha dado certo.”

Laura Esquivel (1950). Como Água para Chocolate. (romance mexicano). São Paulo: Martins Editora, 2015.p.113”

 

Comentários de leitores:

“Adorei o livro! Estou "degustando o livro". Muito pertinentes essas questões da Tita, tradição, tradição... Realmente eu estou adorando o livro! Essa "mamãe Elena" é uma ditadora...rsrsrs Terrível!”

“Eu tinha uma tia que era "solteirona", tia Nair. Ela contava, com frequência, que um rapaz a pediu em noivado e minha avó, simplesmente não respondeu e nunca mais tocaram no assunto. Ela terminou o namoro e aconselhava a gente se casar, dizia que ficar solteira é muito ruim. Hoje penso nela como mais uma vítima da sociedade que oprime tanto as mulheres. Ela era a filha mais velha, tinha um bom emprego e ajudava muito em casa. Sei que no fundo não doía tanto o fato de ficar solteira, mas sim, o fato de não ter realizado seus sonhos.”

"...todos nós temos em nosso interior os elementos necessários para produzir fósforo.” “Cada pessoa tem de descobrir quais são seus detonadores para poder viver, pois a combustão que se produz ao acender-se um deles é o que nutre de energia a alma. Se uma pessoa não descobre a

tempo quais são seus próprios detonadores, a caixa de fósforos se umedece e já não podemos acender um só fósforo." Li e reli estes trechos (pag. 102) e fiquei cheia de reflexões.”

“Depois de ler o livro comecei a pensar nos detonadores de minha energia e comecei a pensar que papel ocupo na vida das pessoas próximas, se ando apagando ou iluminando vidas. Que responsabilidade…”

“O que você entende da expressão "como água para chocolate" de acordo com o que está no trecho da pág. 130?

−Entendo como sendo "a ponto de explodir"; “com os nervos à flor da pele".

“Alguém experimentou alguma das receitas de Tita?

− Eu não. Amei o livro mas, detesto cozinha.

− Bom dia!! Também não gosto de cozinha.”

“Lendo sobre o livro e o filme encontrei o seguinte: "Como água para chocolate é uma expressão típica mexicana - uma expressão idiomática. No México, o chocolate quente é preparado com água quente e não com leite, como fazemos aqui. Para tanto, a água precisa estar fervendo. A expressão significa "estar fervendo de raiva" - ou de alguma outra emoção forte, como o amor. E é exatamente assim que a personagem central quase sempre está ao preparar seus pratos. Tita, ao preparar o "mole", prato mexicano, reflete sobre o poder do fogo e compreende sua função ao ter contato com os alimentos, o seu poder transformador, ou seja, é ele - o fogo - que transforma as massas em tortas, por exemplo; o peito que não foi tocado pelo fogo do amor não passa de uma massa sem utilidade, é um peito inerte, portanto é o fogo do amor o único capaz de transformar o ser e dar sabor à existência."”

“Laura Esquivel nasceu a 30 de setembro de 1950, na cidade do México. Ela conta que foi grandemente influenciada pela avó, autêntica matriarca da família, que se costumava reunir com as mulheres na cozinha, lugar que ela veio a considerar ideal para que o sexo feminino possa partilhar pensamentos íntimos.”

“Trabalhou como educadora de infância, mas, dada a escassez de materiais didáticos, começou ela própria a escrever peças de teatro para as crianças. Passou depois a contribuir como dramaturga para a cadeia de televisão pública infantil.”

“A ocasião propiciou-se para que pudesse estudar Cinema e, durante a sua aprendizagem, conheceu o ator Alfonso Arau, com quem veio a relacionar-se sentimentalmente. Em 1985 estreou-se como argumentista, com o filme Guido Guán Y Los Tacos De Oro, obra nomeada para o Prémio Ariel da Academia das Ciências e Artes Cinematográficas. Decidiu prosseguir com um novo argumento, mas tendo sido desencorajada a rodá-lo devido à escassez de fundos necessários, optou por convertê-lo ao formato de romance. Surgiu assim Como Agua Para Chocolate (1989, Como Água para Chocolate), Consagrada como escritora, Laura Esquível continuou a produzir obras de ficção, publicando entre outros volumes, os romances La Ley Del Amor (1997, A Lei do Amor), Estrellita Marinera (1999, A Pequena Estrela-do-mar), Tan Veloz Como El Deseo (2002, Tão Veloz Como o Desejo) e El Libro de las Emociones: son de la Razón sin Corazón (2003, O Livro das Emoções), e uma recolha de contos com o título Intimas Suculencias, Tratado Filosofico de Cocina (1998, Íntimas Suculências, Tradado Filosófico de Cozinha).”

Terezinha Pereira, mediadora de Ler para Tecer AEA-MG, nasceu em Pará de Minas/MG, em 1948.

Aposentou-se pela Caixa em 1995. É graduada em Letras pela UFMG; mediadora de um clube de leitura de literatura escrita por mulheres, Ler para Tecer, em Pará de Minas, desde 2017; coordenadora e leitora de contos do grupo Contoadas – ouvir para contar no Centro Estadual de Educação Continuada- Cesec Dona Afonsina, em Pará de Minas, com reuniões semanais no período de maio de 2017 a março de 2020 (atividades interrompidas devido a pandemia).

Autora de romances e de livros de contos, com sete livros publicados. Organizadora de livros relacionados a literatura. Desde sempre, tem um caso com as palavras, com as quais tem calma ou tumultuosa convivência. Acredita que, nalgum tempo, publicará seu livro preferido. Por isso, escreve. Sua ambição maior? Ter uma vida longa e uma morte breve. Conceito ouvido por aí e incorporado a seu pensar.

Livros para o ano de 2021 e datas para discussão:

3- 28 de outubro: Liturgia do Fim

Autora: Marília Arnaud (Brasil)

152p.

4- 25 de novembro: De Amor e de Sombras

Autora: Isabel Allende (Chile)

280p.

5- 30 de dezembro: A hora da Estrela

Autora: Clarice Lispector (Brasil)

88p.

Atenciosamente

Maria Lúcia Araújo Rabelo de Almeida

Diretora Sociocultural

AEAMG

Adriana Marinho de Almeida Couto

Diretora de Comunicação e Marketing

AEAMG

Maurício Marques de Aguiar

Presidente

AEAMG

 

   

 

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Last modified on Quarta, 03 Novembro 2021 14:59